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O Acordo de Sócios na Prevenção de Conflitos em Empresas Familiares

O Acordo de Sócios na Prevenção de Conflitos em Empresas Familiares

30 . 04 . 2026 Publicado em Artigos
Escrito por Fabíola Garbim

A estruturação de um acordo de sócios é o ato mais estratégico que uma família empresária pode adotar para garantir a perenidade do seu negócio. Sem regras claras para a circulação de participações e solução de impasses, divergências que deveriam ser técnicas acabam contaminadas por fatores emocionais e transferidas para o Judiciário. 

Um caso emblemático ocorrido no setor nacional de bebidas é o exemplo definitivo desse risco. Em 2011, a venda de pouco mais da metade do controle de uma grande cervejaria para um grupo estrangeiro, por mais de R$ 3 bilhões, foi contestada judicialmente pelos minoritários, detentores dos outros 49,55%. A alegação de violação do direito de preferência gerou liminares que chegaram a suspender o negócio, criando grave insegurança institucional até a sua revogação. O custo dessa disputa prolongada foi real: a companhia perdeu participação de mercado e deixou a vice-liderança do setor. 

 É para evitar essa corrosão de valor que o acordo societário assume papel central na arquitetura de governança corporativa. Ele atua como a constituição interna da sociedade, disciplinando com objetividade o ingresso de herdeiros, regras de tag-along e drag-along, distribuição de lucros e critérios rigorosos de valuation para casos de falecimento ou sucessão. 

Em empresas familiares, a estabilidade não pode depender apenas de laços de sangue ou pactos informais. Instrumentos desatualizados ou ambíguos fracassam justamente nos momentos mais críticos. Investir na formalização de um acordo sólido é a medida essencial para proteger o patrimônio, assegurar agilidade nas decisões e preservar o legado empresarial ao longo das gerações.